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Pernas desletradas não são independentes

28/12/2010

Sentado na poltrona do ônibus interestadual, com a mala no pé e o livro a tiracolo, vejo entrar um a um os passageiros. Misteriosos, fito suas roupas, suas malas, olho. Tento encontrar respostas, sondar quem são… É uma forma de me entreter, fazer o tempo passar. O tédio da espera me torna um detetive das aparências, dos estereótipos. Entre os personagens, desatento, às vezes lembro dos meus problemas. Pequenos problemas que me incomodam. Viverei eu algum dia sem problemas? Claro que não. Problemas e dilemas fazem parte do exercício que é viver.

Sobe uma senhora, carregada pelo motorista e seu ajudante. Suas pernas, soltas no ar, não estão sob seu comando. Acomodada na poltrona, agradece os que a ajudaram. Saca um livro da bolsa, sorri. Não lembro o título do volume, mas o fato era que a imobilidade das pernas não imobilizou sua mente e por falar em mente, a minha estava disparada, saquei meu José Saramago… Desfrutei alguns relatos, “A Bagagem do Viajante”, mas minha atenção se perdeu. Ali eu era o viajante, e minha bagagem era captada nos pequenos detalhes. A senhora comentava com alguém que iria para BH nadar. Adeus Saramago. Nadar… suas pernas que não andavam, nadavam. Logo, em outra estação subiu uma outra senhora, com suas própias pernas. Mas não sabia qual era sua poltrona. Pediu ajuda, percebi que ela não sabia ler. As pernas que não andavam tinham mais liberdade que aquelas livres. Foi aí que descobri que as pernas desletradas não eram independentes.

Ali, me despedi dos meus problemas.

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George Orwell e o segundo turno

24/10/2010

Faz poucos dias, ao entrar no meu quarto, me deparei com a obra “Revolução dos Bichos de George Orwell[i] em cima de minha escrivaninha. Apesar de ter-la lido em meus anos de Universidade de Brasília e de também ser um grande fã da obra 1984[ii], decidi mergulhar mais uma vez no texto, fiz isso talvez diante da angústia política em que me encontro no segundo turno dessas eleições, creio que essa seja também a angustia de muito brasileiros.

Abri as primeiras páginas e fui me deliciando com a leveza das palavras de Orwell, com a genialidade com que ele denunciava as desigualdades da velha União Soviética: “todos os bichos são iguais”, mas com o passar dos anos alguns bichos se tornaram mais iguais que outros.  Entre o esforço sem limites abastecido pela crença cega do bom e velho cavalo Sanção e o luxo e a corrupção em que viviam os porcos pós-revolução, aquela releitura não me remeteu de imediato às desavenças entre Tróski e Stálin, à exploração do ploretário[iii], mas ao Brasil contemporâneo. O Brasil de companheiros que usufruem da máquina, que pensam na oposição não como uma adversária necessária à renovação democrática, mas como inimigos quem merecem ser extirpados[iv] e essa oposição, que assim como o porco Bola de Neve, se encolheu, não mobilizou, não se mexeu e assistiu transformarem seu legado no Leviatã que vendeu aos homens a granja, o Brasil.

“A Revolução dos Bichos” tornou a casa do granjeiro Jones os apartamentos funcionais de Brasília, com motoristas, ternos italianos e vinhos caros. No fundo, o que Jones queria era o poder. No fundo ele se importava apenas com seu umbigo rechonchudo. Mas vem o pior, depois da revolução conseguiram nos convencer de que nunca fomos tão felizes, de que o Brasil nunca foi tão grande. Números, dados, pesquisas… enquanto isso os hospitais continuam lotados como sempre, o transporte público ineficiente e as estradas esquecidas. O Brasil do horário eleitoral de A e de B, não é aquele que vejo quando saio todos os dias de casa para trabalhar. A possibilidade de comprar uma geladeira a prestação, não significa que vivemos em um país melhor. Assim como se deu a destruição do mito soviético, precisamos destruir o mito do “Brasil Feliz”. Por isso, somos animais enganados, as galinhas que botam ovos sem parar, as cabras que dão leite até doer às tetas, pagamos tantos impostos, mais de 40% por cento de nossa renda, para no final eles beberem o mel. A nós: o feno, talvez batatas.

Agora olhamos pela janela e vemos os porcos, como se referiu Orwell aos donos do poder, brigarem pela faixa. PT e PSDB se acusam, espionam e entre bolinhas de papel assistimos ao espetáculo da democracia da pátria que nos pariu. Entre uma candidata biônica e um ex-militante de esquerda líder de um grande partido de direita, o que fazer? Ser o ou não ser?

Ao conversar na rua ainda escuto o discurso do votar no menos pior, no que rouba mas faz. É isso o que nos resta? Essa é a democracia brasileira? A corrupção que fez os porcos da granja trocarem cinicamente o velho cavalo Sansão por uísque, colocou dinheiro na cueca, nas meias, nas “taxas de sucesso” e, em pleno século 21, vivemos uma modernidade que por trás da maquiagem trás o caudilhismo de outrora. O STF decidiu não decidir, o ex-governador da “bezerra de ouro” colocou a dona de casa para concorrer. E nós? Como ficamos? Não se preocupe, eles não se importam. Já a imprensa, que sempre abriu as caixas de pandora é o mocinho de A e vilão de B[v]. Entre as acusações de corrupção vem o “eu não sabia”, vem o “desconheço”… “Nunca ouvi falar”.

Militantes históricos, guerrilheiros de ontem que hoje se orgulham em fazer empréstimos ao FMI, defensores dos Direitos Humanos que tomam chá com Armadinejad, que saúdam uma Cuba falida, pobre e sem liberdade de expressão. Viva Fidel! Mas e a democracia? Orwell disse que pela janela, hoje televisiva, nós criaturas olhávamos de um porco para um homem, de um homem para um porco e no final era impossível distinguir quem era porco.

Paro por aqui, por que preciso colher o meu feno.


[i] ORWELL, George. A revolução dos bichos: um conto de fadas. São Paulo : Cia das Letras, 2007.

[ii] ORWELL, George. 1984. Sâo Paulo : Editora Nacional, 2003.

[iii] Palavra essa desconhecida pelo dicionário do meu Microsoft Word 2007.

[iv] “Precisamos extirpar o DEM da política brasileira” – Lula, 13/09/2010.

Fonte: http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/09/precisamos-extirpar-o-dem-da-politica-brasileira-afirma-lula.html , acessado às 12:38 de 24/10/2010.

[v] “O problema do Brasil é o monopólio das grandes mídias, o excesso de liberdade e do direito de expressão e da imprensa.” – Dirceu 15/09/2010.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,para-dirceu-imprensa-tem-excesso-de-liberdade,610220,0.htm, acessado às 13:15 de 24/10/2010.

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Anestesia

22/08/2010

Sinto meu corpo anestesiado, sinto a letargia, a tristeza. Não sei porque, nem do que… Ou eu sei e não quero ver. Parado na cama, a TV e o sono me consomem e o que sobra é a rotina de conhecer o amanhã. O mesmo lugar, a mesma cadeira, a mesma sala. Seria o preço da estabilidade? Seria o preço do meu ser adulto? Seria minha despedida da juventude?

Sinto-me jovem, mas o cotidiano de gente grande parece amarrar a nossa criatividade. Culpa minha? Também. Às vezes falta a vontade de produzir, de pensar. E quando a vontade vem de uma vez o mundo me freia, me para e me lembra que tenho um relatório para entregar. Cadê a aventura? Onde foi parar a vontade de ir cada vez mais longe? Acho que a guardei tão bem que esqueci seu paradeiro.

Assim, penso em cair no mundo de novo, mas lembro que quanto mais a idade avança, maior é o preço que se paga, mais nós temos a perder. Um dia volto onde quero, um dia retorno ao meu mundo de aventura, mas quando voltar, volto preparado, pronto. A idade também faz bem, dispersamos um pouco o imediatismo e planejamos em longo prazo. O que é bom, mas falta paciência. A mesma paciência que me faltava há alguns anos atrás.

Sou eu paciente? Não, mas preciso ser. Quanto maior o objetivo, maior o prazo. Pelos menos é assim com as pessoas comuns, comigo. Quero ir, mas preciso ficar. Sempre fui um apreciador da vida, sempre me deixei viver aqui e agora, mas parece que quando a gente cresce começamos a viver aqui para o amanhã e o marasmo daqui me entristece.

Viver triste pensando na felicidade do amanhã… Mas viver feliz hoje pode significar a falta do amanhã. A caminhada na realização de um sonho é pesada, o que vivo hoje é bom, mas é pouco, se quero mais preciso continuar pedalando.

Quero dar adeus ao cotidiano, para não me perder nele.

Saudades de quando acordar era a felicidade de um novo dia e não de uma nova batalha.

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A rosa…

18/10/2009

Eu estava eu com frio na barriga… aquele bom e velho frio na barriga. Me olhei no espelho, fiz a barba e saí para comprar uma flor. Fazia tempo, viu? E não era uma flor para pedir perdão, era uma flor para dizer: obrigado por aquele momento.

E o que seria essa flor, senão a materialização de um espaço de felicidade? Confesso, que comprar aquela flor me deu mais alegria do que quando comprei meu carro. Não era do carro que eu realmente precisava… como não pude perceber? Mas isso só entendi agora. A coisa em si não trás felicidade, ela é passageira. A satisfação do consumo passa numa enorme velocidade, trata-se de um flash na esteira da vida.

Mas a flor… Essa fica para sempre, por que nem sempre o bom é o caro… O simples, que valorizamos pouco, nos faz mais feliz, por que a felicidade não está na coisa em si, mas está em quem ela nos remete. Assim faz mais sentido. As lembranças do com quem estive são muito melhores do que as lembranças do que eu tive.

Entrei na floricultura e vi rosas, margaridas, hortênsias… Mas tinha que ser uma rosa! A rosa fala por ela mesma… Vermelha ou branca? Nacional ou importada… As Colombianas estavam bonitas, mas as nacionais com o botão um pouco fechado pareciam que iriam durar mais. A simbologia da rosa está ligada aos nossos profundos desejos. Mas e se não durasse? Valeu o momento. Valeu a rosa. Sair da floricultura e andar até meu velho apartamento… impagável. “Lá vai mais uma romântico”, “ele quer fazer as pazes”, “aniversário de alguém”? Os olhares se cruzavam com o vermelho da rosa e as conjecturas se formavam nas cabeças dos desconhecidos e cheiro dela não saia da minha cabeça.

Mas eu sabia: era ela, era a rosa.

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Melhor sozinho do que mau acompanhado…

24/08/2009

Um dia ouvi: “Melhor sozinho do que mal acompanhando”. Foi difícil entender que pequeno provérbio trazia tanta sabedoria! A solidão me apavorava, até eu entender que eu mesmo me bastava. Compartilhar a vida com alguém, até mesmo pequenos momentos é sempre um desafio. Quis compartilhar com pessoas que não quiseram, depois pessoas quiseram e eu não quis, até estive com pessoas que não quiseram compartilhar nada, sabíamos que era passageiro… Frustrado, chateado, desencantado com a vida, vivi achando que a felicidade estava no outro, no lado. Mas ela está aqui mesmo, dentro de mim. Sigo feliz e mais felicidade vai chegar. Aí um dia, quando eu menos esperar: pronto! Lá estará ela, quem eu não sei quem é em algum lugar que eu também não sei. A surpresa é alma do negócio!

Enquanto isso, vou apreciando minha vida do jeito que eu gosto, esbarro daqui, conheço dali, entre encontros e desencontros mais uma taça de vinho, um bom filme, eu e meu sofá. Sofá por quê? Talvez por que ele nunca tenha me feito sofrer, nem um torcicolo sequer… Ao contrário das tantas que se aproveitaram da minha nobreza. Camisas riscadas, telefones mudos, cartas rasgadas. Sei que isso soa amargurado, sei também que tem gotas de frustração… E é isso mesmo! Por que não?

“Pai, afasta de mim esse cálice”, me deixe longe de fel, quero apenas o doce de um amor verdadeiro, de um olhar cruzado, de uma simples moça cheia de encanto e de sorriso fácil. Alguns dizem que quero demais, outros dizem isso não tem, algumas dizem até que as pessoas estão umas com as outras apenas por que isso lhes convém. Mas assim não serve, não quero interesse, basta sinceridade… Mas onde encontrar? Enquanto isso o destino que me é imposto, expressão de Vargas em sua carta visceral, escrevo a minha história e aumento meu orgulho de mim por saber tudo o que superei e tudo o que vivi. Minha história, a aventura de ser quem eu sou, de fazer o que faço… Essa ninguém pode me tirar. Continuo dono de mim mesmo, e de mim não posso renunciar: viva a liberdade! E se um dia eu reencontrar o amor, livre ele vai ser, eu como eu sou e ela como ela é, mas minha curiosidade não para de crescer: ela, porque não chegas logo? Enquanto isso, obedeço ao velho ditado: “Melhor sozinho do que mau acompanhado!”

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Política Quixotesca….

09/07/2009

Não faz dois dias, eu estava em um restaurante com amigos professores de História, quando um deles me colocou a seguinte situação: “eu gostaria de um dia entrar para política, mas só se fosse para realmente defender o povo…” Fiquei logo espantado com aquela afirmação, e disse: meu amigo continue na sua militância como professor de história que ela, sem dúvida, será mais honesta e eficaz.

O professor então quixoteou sobre a beleza da política e suas tramas. Caro, esqueça! O deputado do castelo foi absolvido pelo Conselho de Ética e Lula defendeu Sarney! A descrença e o desânimo se abate sobre nós militantes socialistas sonhadores. Vamos continuar nosso trabalho honesto e isso, factual como uma Lei de Newton, não cabe na política do Brasil. Vamos fazer  que nos cabe, mas olhe isso companheiro: em pesquisa publicada na capa da Época dessa semana, deputados e senadores afirmam que a chance de um cidadão comum ser eleito sem apoio de empresas, igrejas ou sindicatos é irrisória. E como somos homens comuns… triste! É como se nós fossemos Dom Quixote  e o Congresso o moínho de vento.

Sarney faz discurso em 1966 – Por Glauber Rocha

@forasarney – Twitter

Fora Sarney, fora Requião, Calheiros, fora espírito mal de ACM! Vocês roubaram nosso sonho de uma política a la Volteire, Montesquieu e Russeau.

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Espírito Voluntário

06/07/2009

Republico aqui um de meus textos favoritos, saudades da África! Clique aqui para ler o original

Acho que foi algo que aprendi desde criança: ajudar… ainda lembro quando meu pai trazia meninos-de-rua para dormir em nosso apartamento. Minha mãe, mesmo surpresa, dava banho, roupas comida e no dia seguinte meu pai os levava para casa, quando eles tinham uma. A minha experiência no Movimento Escoteiro por 16 anos só acabou por aprofundar essa necessidade, verdade, essa é a palavra… necessidade. Tenho uma grande necessidade de ajudar o próximo. Quando isso não acontece, parece que está faltando alguma coisa… Ficou na minha cabeça o velho lema: “O Escoteiro pratica diariamente uma boa ação”.

Muitas vezes, me peguei refletindo sobre a possibilidade de ter nascido no final dos anos 40, por que o que eu queria mesmo era ter minha passado a minha juventude na décade de 60. O mundo estava em erupção! Guerra Fria, Ditadura, Revolução Cuabana, JFK nos EUA, JK no Brasil, Brasília, Beatles, Woodstock, sexo, drogas and rock and roll. Como era simples ter uma causa para acreditar. Capitalista ou socialista? Regime Militar ou Ditaduta? Duas Alemanhas, duas economias, corrida armamentista, espacial, tecnológica. Independência da África… tantos motivos para lutar, tantos ideais para viver e, por que não, morrer. Cansei de sonhar em ter feito parte daquela juventude, por que em alguns momentos senti a minha juventude estática, silenciada pelo consumismo, pelas futilidades televisivas, pela mesquinhês de pensar que os problemas da humanidade giram ao redor do seu umbigo. Queria ter podido escolher um lado, poder ter escolhido uma rebeldia combativa. Não essa rebeldia sem causa dessa nossa idiocracia adolescente.

É fato que com a queda do Muro de Berlim morreu o sonho de um mundo mais igual, mais justo e o fim da Ditadura no Brasil parece ter deixado a nossa juventude da década de 80 silenciada após o fracasso das “Diretas Já”. Tancredo foi eleito indiretamente e com sua morte, assumiu Sarney, que não foi eleito por ninguém. Sem Ditadura, o inimigo deixou de ser tão claro, as coisas se tornaram mais difusa. Não existiam mais subersivos, nem ditadores. No desenrolar da nossa jovem democracia, os culpados se tornaram Banco Mundial, FMI, Collor e FHC. Ninguém sabia exatamente por que lutar, ou quem eram os culpados de nossos problemas, a coisa ficou dispersa… antes era mais fácil: fora ditadura! A ditadura acabou… e agora? Vamos lutar por que? O pior é que a velha esquerda militante assumiu o poder do nosso país e manteve velha a política econômica, o real fez 15 anos e por dentro o PT comemorou o sucesso do plano inimigo, por fora nada falou. O governo se rende ao caudilho presidente do senado. E os saudosos combatentes do Araguaia são hoje acusados de corrupção.

E assim muitos de nós continuam perdidos, calados, tentando se convecer de que o sonho acabou, ou o que é pior: vivendo sem sonhar. Desde da década de 80 percebeu-se uma desmobilização profunda na defesa dos ideiais, entretanto, mesmo fracassada, a militancia esquerdista das décadas de 60 e 70 nos ensinaram que vale apena lutar para defender suas idéias na tentativa de vivermos em um mundo melhor. É por isso que podemos observar uma verdadeira multiplicação das ONG’s desde os anos 90. Claro! O homem precisar lutar por alguma coisa… o tempo pode ter levado vários sonhos ao luto, mas não matou a esperança. Acredito que a multiplicação das ONG’s é mais que um sinal da disperção da luta é um sinal claro que a luta continua, mas vem com outra cara: é a luta contra a fome, a pobreza e, por que não, o aquecimento global. Não temos mais um muro para derrubar e a luta se diversificou, se sofisticou, se tornou mais detalhada: ONG para salvar baleias, gatos, cachoros, florestas, gente. ONG para saúde, educação, lazer e esporte. ONG para tudo. Você acredita em que? Você quer mudar o que? Escolha seu grupo, mobilize, levante sua bandeira e vá a luta… o mundo moderno nos dá essa possibilidade. Não estamos presos na velha batalha direita X esquerda, comunismo X capitalismo, bem X mal, o céu X terra. O mundo é mais complexo que essa dicotomia barata medieval. Se você quer ajudar uma causa, seja qual for, vá a luta companheiro. É hora da sociedade civil exigir o que é certo e acabar com o que está errado. O governo construiu escola, estrada, hospital? Não fez mais que sua obrigação. É para isso mesmo que ele existe… não devemos ser gratos ao governo por nos fornecer aquilo que é seu dever: o bem-estar social.

Mais que uma batalha político-partidária, a necessidade que temos hoje é por uma batalha humanística… não violência, democracia, direitos iguais, gestão transparente, ecologia, gênero, fim do racismo, etc. Todos eles são conceitos universais que precisam ser aplicados nos quatro cantos do planeta. Enquanto existir um povo que sofra pela falta de qualquer um desses elementos, existe uma luta a ser travada. E quando falo de luta, não falo de armas. Já foi o tempo que precisavamos pegar o fúzil para defender os nossos ideais. O que precisamos são de boas idéias e vontade de ajudar. Isso é o que eu chamo de “espírito voluntário”… minha esperança é que esse espírito se torne um corrente crescente. Imagine se cada um de nós ajudasse o próximo um pouquinho? Imagine se cada um de nós dedicasse um pouco do seu tempo para ser um agente de transformação da realidade? John Lennon disse Imagine, mas quem realmente escutou? E o coitado acabou morto a tiro em plena Big Apple. Já o velho Marx disse “Trabalhadores do Mundo, uni-vos!”. Esse, muita gente escutou, mas entedeu errado. Foi uma tentativa de mostrar que a exploração proletária não era um problema de chineses, japoneses, americanos, ou brasileiros, mas sim, um problema Universal. Esse é o espírito… sei que é difícil, se que leva tempo, mas a idéia é simples: o mundo deve ser um lugar bom para todos. Não perco a esperança e continuo alimentando o meu espírito voluntário, tentando aumentar a corrente. Escolha sua causa e lute por ela. Levante a sua bandeira e não deixe ela cair. Chega de reclamar do Estado, do político, da polícia, da televisão. Estou cansando de ouvir reclamações sem ação. Está errado? Mude. Não consegue arrumar sozinho? Peça ajuda. Não deu? Pelo menos você fez a sua parte… se cada um fizer um pouco podemos alcanças um todo. E é nesse todo que eu quero viver, um todo de liberdade, igualdade e fraternidade. Isso mesmo os velhos ideais da Constituição Norte-Americana, que chegaram na Revolução Francesa e que acançaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos. E nossa tarefa hoje é bem mais fácil… não precisamos cortar cabeças, lutar contra reis ou nazi-fascistas. Basta cada um fazer a sua parte… mas que parte é essa? Isso… só você pode responder. E aqui da África vou seguindo voluntário, vou seguindo sem emblema, sem regime. Não significa que sou apolítico, sou apenas apartidário. Nada contra os políticos, e se essa é sua praia… basta ser honesto. Vou contribuíndo da maneira que posso, lutando por meu ideal, acreditando que mais pessoas poderão fazer a sua parte e sonho que um dia, talvez, meus filhos vão viver em um mundo mais justo.

Já faz algum tempo que deixei de querer ter vivido na década de 60, foi quando percebi que a nossa revolução é agora.

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I’m back…

22/04/2009

Faz tempo que não escrevo, e derrepente senti falta de um pouco de arte na minha vida… senti falta de me expressar. De dizer um pouco ao mundo o que penso, o que vivo. Depois de uma ótima experiência no Terra Blog entre 2006 e 2008… com mais de 30.000 acessos parei no tempo, quer dizer, o tempo andou, mas não registrei, não coloquei no papel o que pensava e minha vida perdeu a poesia.

zocorelio.blog.terra.com.br – aqui fui poeta. E essa história vai virar livro em breve. Mas aquela parte da minha vida passou, agora… esse novo ser, que como a Fenix nascida das cinzas respira fundo o ar que precisa para começar novos projetos, novas idéias, novas aventuras. O fato é  que não dá para viver em rotina… a vida sem poesia é vazia como uma conversa sobre o tempo.

E na blogosfera acho poesia… por que o blog é isso, é conversar… compartilhar, trocar experiências, fuçar e perceber que não existem limites para dizermos o que está na nossa cachola. I’m back…

Uma vasilha borbulha na minha cabeça: meu cérebro é uma chaleira no fogão!

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Pássaro do aço

22/04/2009

O pássaro de aço by Aurélio Araújo

Todo mundo tem o sonho de voar… de um dia ser piloto, até tentei entrar na Epcar (Escolas Preparatórias de Cadetes do Ar), mas a miopia, que curei a 4 anos com uma cirurgia à laser, não me deixou chegar lá. O DD passou na prova e ele não tinha miopia, mas o danado não quis saber disso… forças armadas não eram para o cara, mas eu ainda pensei: “se fosse comigo, eu ia”. O desejo de ser piloto, assim como o de ser astronauta, bombeiro, policial está presente na cabeça de todo menino e o meu sonho de voar nunca passou… quer dizer, nunca passou até o ano passado. Novembro do ano passado.

Me ligou o André: “que tal você e o DD irem para a Bahia fazerem fotos e filmes para o site da minha empresa de combate aéreo a incêndio, a AmericaSul”. Pensei: claro, por que não? Para viajar preciso apenas da desculpa… e fomos, meu pai como motorista e produzimos nosso plano de produção entre os cerca de mil kilômetros que separam o DF da pequena e colonial Lençois na Bahia.

Chegando lá, fomos ao aeroporto e os aviões não paravam quetos no chão para combater o forte incêndio na bela Chapada.

Incêndio na Chapada Diamantina completa um mês

Ventos fortes e a seca fazem com que o fogo se espalhe rapidamente na região da Chapada Diamantina, na Bahia. Seis municípios ainda estão em estado de emergência, após 30 dias do início do incêndio.

Novos focos de incêndio surgem a cada dia, e o fogo está bem perto de cidades, além de destruir plantações.

O tempo não deve ajudar a controlar as chamas. Não há previsão de chuva para os próximos 10 dias.

Fonte: Band News

Para registrar melhor  trabalho, entrei com  a minha Nikon no avião e parti para a fotografia aérea. O avião subiu… e o experiente piloto se mandou para área do incêndio. Em menos de 5 minutos estávamos lá. O bico do avião inclinou rumo ao solo e na posição de ataque o avião se peparou para lançar água diante das labaredas de fogo que insistiam em castigar o Parque Nacional. A cada novo ataque meu estômago revirava… comecei a ficar branco e desejando estar no solo. Naquele momento, dentro do pássaro de aço, agradeci… tonto na cabine descobri que não nasci para ser piloto e sem enteder muito bem o que acontecia sorri.

Não lembro de ter feito fotos muito boas no ar, mas senti uma satisfação enorme em ter sido miope na adolescência.

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Despedida

22/04/2009

Chovia, mas o Sol determinado aquecia o asfalto e mandava a água de volta para céu em forma de vapor. O ciclo da água rodava diante do relógio parado do ciclo da vida. Estavam todos lá. Quem seria capaz de perder aquele momento, quem seria capaz de não dizer adeus? Todos conheciam aquele história. A tristeza pairava no ar, os olhares húmidos não consiguiam encará-lo, comfortá-lo. Seu maior desejo era ter ido com ela, era poder ter terminado a sua caminhada junto com a dela. Uma longa caminhada, uma bela caminhada.

Enquanto a chuva caia ele parecia não senti-la, enquanto o caixão descia sua dor aumentava, não queria deixá-la ir. Não era para ser assim…

Muito bonito… mas me pergunto: seria o amor eterno coisa dos livros?

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