Posts de 22 agosto, 2010

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Anestesia

22/08/2010

Sinto meu corpo anestesiado, sinto a letargia, a tristeza. Não sei porque, nem do que… Ou eu sei e não quero ver. Parado na cama, a TV e o sono me consomem e o que sobra é a rotina de conhecer o amanhã. O mesmo lugar, a mesma cadeira, a mesma sala. Seria o preço da estabilidade? Seria o preço do meu ser adulto? Seria minha despedida da juventude?

Sinto-me jovem, mas o cotidiano de gente grande parece amarrar a nossa criatividade. Culpa minha? Também. Às vezes falta a vontade de produzir, de pensar. E quando a vontade vem de uma vez o mundo me freia, me para e me lembra que tenho um relatório para entregar. Cadê a aventura? Onde foi parar a vontade de ir cada vez mais longe? Acho que a guardei tão bem que esqueci seu paradeiro.

Assim, penso em cair no mundo de novo, mas lembro que quanto mais a idade avança, maior é o preço que se paga, mais nós temos a perder. Um dia volto onde quero, um dia retorno ao meu mundo de aventura, mas quando voltar, volto preparado, pronto. A idade também faz bem, dispersamos um pouco o imediatismo e planejamos em longo prazo. O que é bom, mas falta paciência. A mesma paciência que me faltava há alguns anos atrás.

Sou eu paciente? Não, mas preciso ser. Quanto maior o objetivo, maior o prazo. Pelos menos é assim com as pessoas comuns, comigo. Quero ir, mas preciso ficar. Sempre fui um apreciador da vida, sempre me deixei viver aqui e agora, mas parece que quando a gente cresce começamos a viver aqui para o amanhã e o marasmo daqui me entristece.

Viver triste pensando na felicidade do amanhã… Mas viver feliz hoje pode significar a falta do amanhã. A caminhada na realização de um sonho é pesada, o que vivo hoje é bom, mas é pouco, se quero mais preciso continuar pedalando.

Quero dar adeus ao cotidiano, para não me perder nele.

Saudades de quando acordar era a felicidade de um novo dia e não de uma nova batalha.

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